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Abel Ferreira, Ademilde Fonseca e uma antologia do choro no Projeto Pixinguinha

Na temporada de 1977, dupla de grandes chorões – ele nos sopros, ela na voz – apresentou clássicos de Pixinguinha, Waldir Azevedo, Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga

Abel Ferreira e Ademilde Fonseca: chorões do primeiro time

Abel Ferreira e Ademilde Fonseca: chorões do primeiro time

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    • Rapaziada do Brás – Abel Ferreira

    • Corta-jaca – Abel Ferreira

    • Cochichando – Abel Ferreira

    • Chorando baixinho – Abel Ferreira

    • Odeon – Abel Ferreira

    • André de Sapato Novo – Abel Ferreira

    • Acariciando – Abel Ferreira e Ademilde Fonseca

    • Títulos de nobreza – Ademilde Fonseca

    • O que vier eu traço – Ademilde Fonseca

    • Dinorah – Ademilde Fonseca

    • Pedacinhos do céu – Ademilde Fonseca

    • Choro chorão – Ademilde Fonseca

    • Coração trapaceiro – Ademilde Fonseca

    • Ingênuo – Abel Ferreira

    • Chorinho do Suvaco de Cobra – Abel Ferreira

    • Saxofone por que choras? – Abel Ferreira

    • Luar de Coromandel – Abel Ferreira

    • Apresentação dos músicos – Abel Ferreira

    • Chora moçada – Abel Ferreira

    • Lamentos – Abel Ferreira

    • Doce melodia – Ademilde Fonseca

    • Choro do adeus – Ademilde Fonseca

    • Paraquedista – Ademilde Fonseca

    • Teco-teco – Ademilde Fonseca

    • Tico-tico no fubá – Abel Ferreira

    • Apanhei-te cavaquinho – Ademilde Fonseca

    • Brasileirinho – Ademilde Fonseca

    • Urubu malandro – Ademilde Fonseca

    descer

“Um show perfeito. Aliás, dois.” Foi assim que o crítico Wladimir Soares classificou o espetáculo realizado por Abel Ferreira e Ademilde Fonseca na primeira temporada do Projeto Pixinguinha. Das treze duplas de 1977, só aquela – formada pelo grande clarinetista mineiro e pela intérprete potiguar de canto ligeiro – era inteiramente dedicada ao gênero que consagrou o patrono do projeto. Como escreveu o crítico, na edição de 24 de agosto de 1977 do Jornal da Tarde: o show “não retoma apenas um ritmo esquecido, o chorinho, como também apresenta composições do ilustre Pixinguinha, provavelmente muito mais importante que o americano Scott Joplin, o mestre do chorinho de lá, o ragtime.” Ouça o espetáculo na galeria de áudios ao lado.

A resenha ressalta ainda a direção de Arthur Laranjeira, que “soube dosar com exatidão a participação de cada um, colocando no palco do Teatro Anchieta um show exemplar”, de resultado “bonito e poético”. Segundo o texto, “Abel Ferreira nunca abandona o palco, executando solos ou acompanhando Ademilde”. Já a “Rainha do Chorinho” é elogiada pela apresentação de “seus maiores sucessos com a rapidez de uma metralhadora, sem engolir uma única sílaba”. “Gal Costa e Baby Consuelo deveriam estar na plateia para ver como se canta Teco Teco, de Pereira Costa e Milton Vilela, e Brasileirinho, de Waldir Azevedo e Pereira Costa”, alfineta Wladimir Soares. “Elas descobririam, então, que o ouvinte tem que entender tudo o que se está cantando.”

Outro ponto alto do espetáculo era o regional que acompanhava os solistas, formado por Luiz Otávio e Arlindo (violões), Valmar (cavaquinho), Theóphilo (contrabaixo), José Maria (flauta) e Paulinho do Pandeiro. Com apresentações no Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre (os shows em Brasília estavam suspensos desde a superlotação causada pela passagem da caravana anterior, com Clementina de Jesus e João Bosco), Abel e Ademilde foram vistos e ouvidos por 11.286 espectadores.

Em Curitiba, o espetáculo foi noticiado pelo jornalista José Fiori, que usou sua coluna na Gazeta do Povo para saudar o sucesso do gênero carioca popularizado por Pixinguinha outros tantos craques na primeira metade do século 20. “O choro está na moda, outra vez. Concursos, festivais, numerosos grupos de chorões aparecendo nos programas de maior audiência da televisão, e todos perguntando: o que é que está acontecendo?”, registrou Fiori, na edição de 27 de agosto de 1977, ressaltando o sucesso obtido por Abel e Ademilde na série Seis e Meia, do ano anterior, quando “difícil era a noite em que o público não pedia quatro ou cinco números extras. Um delírio total.”

Era Abel Ferreira quem abria o espetáculo, apresentando clássicos do repertório de choro, como Corta-jaca (Chiquinha Gonzaga), Cochichando (Pixinguinha), Odeon (Ernesto Nazareth) e André de Sapato Novo (André Victor Correa). Em seguida, Abel tocava sua Acariciando (letrada por Lourival Faissal) e recebia no palco Ademilde Fonseca, com quem dividia a interpretação da música. A cantora, então, apresentava choros antigos de Waldir Azevedo (Pedacinhos do Céu, com letra de Miguel Lima) e Benedito Lacerda (Dinorah, letrado por Darcy D’Oliveira) e mais recentes, como um de Martinho da Vila (Choro Chorão) e outro da dupla João Bosco e Aldir Blanc (Títulos de Nobreza, dedicado a ela).

Na segunda metade do espetáculo, Abel prosseguia com composições de sua autoria, como Saxofone Por Que Choras, Chorinho do Sovaco de Cobra (dedicado ao botequim que era reduto de chorões novos e da velha guarda, no bairro carioca da Penha Circular) e Luar em Coromandel (homenagem a sua cidade natal). A antologia do choro era completada por outros sucessos do gênero, como Lamentos (Pixinguinha e Vinicius de Moraes), Apanhei-te Cavaquinho (Ernesto Nazareth e Darcy D’Oliveira), Brasileirinho (Waldir Azevedo e Pereira Costa) e Urubu Malandro (tradicional, adaptada por Lourival de Carvalho, com letra de João de Barro), as três últimas cantadas com a habitual velocidade de Ademilde Fonseca.

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Débora Rangel

enviado em 8 de maio de 2011

Falta muita coisa sobre Chiquinha Gonzaga, ela será incluída no catálogo?

    maria.cristina

    enviado em 9 de maio de 2011

    Oi, Débora! O Projeto Pixinguinha, que existiu por 30 anos, começou a circular em 1977, com espetáculos de música brasileira acessíveis às camadas populares. A iniciativa nasceu inspirada na série de shows Seis e Meia, que desde o ano anterior lotava o Teatro João Caetano, no Centro do Rio de Janeiro, com espetáculos às 18h30 e ingressos a preços populares. A lista do acervo digitalizado deste projeto encontra-se aqui: http://www.funarte.gov.br/brasilmemoriadasartes/acervo/pixinguinha. Um abraço!

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