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“Fiquei convencido de que um outro Lawrence Olivier tinha nascido no Brasil”

Em entrevista ao Serviço Nacional de Teatro em 1974, Paulo Autran fala sobre vaidade, inseguranças e personagens marcantes

O ator Paulo Autran (centro) é entrevistado durante a gravação da Série Depoimentos

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    • Entrevista com Paulo Autran

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“Estreei numa peça que foi saudada com entusiasmo pela crítica. Um entusiasmo tão grande, Décio, que há pouco tempo reli as críticas do Deus Dormiu Lá em Casa e vi que eram realmente de virar a cabeça de qualquer principiante. Fiquei convencido de que um outro Lawrence Olivier tinha nascido no Brasil e se chamava Paulo Autran. Fiquei numa euforia tal, que acho que isso me deu esse convencimento e uma certa afirmação pessoal”.

Em 20 de fevereiro de 1974, Paulo Autran, aos 51 anos, então com 25 anos de carreira, prestava seu depoimento ao Serviço Nacional de Teatro (SNT) explicitando uma de suas principais características: a legitimada ausência de modéstia. Celebrado como um dos maiores atores da história do país, Paulo Paquet Autran – falecido em outubro de 2007 – é um dos entrevistados da coleção de livros Depoimentos, que a partir de 1974 disponibilizou históricas entrevistas com alguns dos mais importantes artistas da cena teatral nacional.

Editada pela Funarte com o Ministério da Educação e o Serviço Nacional de Teatro, a coleção tem no volume IV saborosas revelações do ator para um grupo de entrevistadores que incluía Bibi Ferreira, com quem ele estrelara o musical My Fair Lady em 1962, e o crítico teatral Décio de Almeida Prado.

Sobre a montagem nacional do musical americano em que o ator deu vida ao personagem Professor Higgins, Paulo conta que encarou-o mesmo sem talento para o canto, convencido pelos produtores. “Achei que era capaz de fazer o papel e me parece que fiz direitinho”, diz. Com outro musical, a história foi diferente. “Quando chegou na hora do Homem de La Mancha, tremi nas bases. Estive para abandonar o papel. A peça é escrita para cantores”.

O início no teatro profissional, após integrar espetáculos amadores, ele relembra, veio através de convite daquela que se tornaria amiga de uma vida inteira: Tônia Carrero. Em seguida, viria o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), com a peça Seis Personagens à Procura de um Autor, de Luigi Pirandello.

O bate-papo sobre a carreira tem momentos divertidos, como a confissão de Paulo da imaturidade dos tempos de juventude. Na peça Amanhã, se Não Chover, o diretor Ziembinski oferecera ao ator o papel do protagonista, um anarquista russo, barrigudo e feio, e para outro ator o papel de um galã. Paulo fez de tudo para demover o diretor da ideia de tê-lo como o russo. “Eu não queria botar enchimento por pura vaidade, ou melhor, por pura burrice de principiante”. No fim das contas, encarou o papel, pelo qual foi elogiado.

A entrevista cujo áudio resgata momentos importantes da memória da dramaturgia brasileira passeia ainda por lembranças de aplausos em cena aberta e pela incursão do ator pelo cinema, com o clássico Terra em Transe, de Glauber Rocha. E se encerra com a declaração de Bibi Ferreira: “Trabalhei com Paulo em duas peças que ficaram muito tempo em cartaz. Quero deixar aqui gravado: Paulo é um grande amigo e talvez o colega mais igual que eu conheci”.

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