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Biografia de Oscarito

'Rei do riso', ator era filho de família de tradição circense

O humorista Oscarito

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    • Entrevista com Miriam Teresa e Carlos Loffler sobre Oscarito

    • Entrevista com Carlos Manga sobre Oscarito

A expressão gaiata, o sorriso brejeiro e o olhar maroto de Oscar Lorenzo Jacinto de la Imaculada Concepción Teresa Dias, mais conhecido como Oscarito, não se perderam com o passar dos anos; permanecem registrados em fotografias e filmes do ator. Nascido em Málaga, na Espanha, no dia 16 de agosto de 1906, filho dos artistas Oscar e Clotilde Teresa, descendentes de famílias com tradição circense de 400 anos, tinha pouco mais de dois anos de idade quando seus pais vieram para o Rio de Janeiro, contratados pelo Circo Spinelli. Sua tia paterna, a trapezista e acrobata Lili Cardona, casada com o palhaço, acrobata e trapezista, Juan Cardona, foi a pioneira dos Teresa no Brasil.

No circo, Oscarito começou a participar de um número de acrobacia com a mãe e a irmã Lili e, com cinco anos, estreou no palco vestido de índio, ao lado do palhaço e ator negro Benjamin de Oliveira, embranquecido com alvaiade ou farinha de trigo, para viver o índio Peri, na peça O Guarani, livre adaptação do romance de José de Alencar.

Sua família, ao percorrer diversos estados do Brasil, proporcionou-lhe um bom aprendizado circense e, além do trapézio e da acrobacia, fez papéis de galã e de cômico em pequenas comédias e pantomimas. Seu verdadeiro teste diante de uma plateia aconteceu ao lado de sua mãe e irmã, numa peça de Carlos Cavaco, encenada no Grande Circo Americano, do empresário Rizzoli, em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul. Por volta de 1926, foi convidado a trabalhar no Circo Democrata, no Rio de Janeiro, onde atuou em dramas, comédias, revistas e farsas.

O ano de 1932, decisivo para a sua fabulosa ascensão no teatro de revista, marcou a estreia de Oscarito Brenier (sobrenome materno) no Teatro Recreio com a bem-sucedida revista Calma, Gegê, de Djalma Nunes, Alfredo Breda e Amador Cisneiros. Gegê era o apelido carinhoso dado pelo povo ao Presidente Getúlio Vargas. Em Que é Que Há?, de Alfredo Breda, a crítica repara em sua atuação: “muito engraçado no papel de Chuca-chuca”. Recebe mais elogios nas revistas Prato do Dia, de Floriano Faissal e Alfredo Breda, e Frente Única, de Luiz Peixoto, Ari Pavão e Sá Pereira.

Em Elas por Elas, de Joracy Camargo, o ator continua bem-visto pela crítica a ponto de receber uma proposta de Jardel Jércolis, empresário da Companhia de Sainetes e Revistas Tro-lo-ló, para estrear no Teatro Carlos Gomes em Salada de Frutas, de Alfredo Breda e Miguel Santos, ao lado de Araci Côrtes, formando uma das duplas mais famosas do teatro de revista brasileiro.

Segundo Oscarito, os atores que mais o influenciaram no início da carreira foram seu tio espanhol Juan Cardona, palhaço de circo, e Pablo Palitos – também espanhol, criado na Argentina e com carreira nos palcos cariocas. Porém, o comediante-modelo de várias gerações de atores de revista foi Mesquitinha, com quem aprendeu muita coisa, mesmo havendo uma certa incompatibilidade de estilos. Mesquitinha era mais “cool” e os parâmetros de Oscarito eram os comediantes de uma linha mais extrovertida, como os americanos Harpo Marx, Red Skelton e Danny Kaye.

Em 1933, excursiona com a companhia de Jardel Jércolis em Portugal e consegue muito sucesso. Faz sua primeira figuração no cinema em A Voz do Carnaval, da Cinédia, direção de Adhemar Gonzaga e Humberto Mauro e, no ano seguinte, em outubro, casa-se com a atriz Margot Louro, que além de esposa tornou-se sua parceira artística. Ele fazia o cômico, ela a ingênua e, mais tarde, a esposa repressiva. Tiveram um casal de filhos Myrian e José Carlos. Participou em 1935 de Noites Cariocas, da Uirá Filmes, dirigido pelo argentino Enrique Cadicamo. Oscarito Brenier aparece como “o homem do bar”, ao lado de Mesquitinha e Grande Otelo. Em 1936, trabalha com Carmem Miranda na produção da Cinédia-Waldow, Alô, Alô, Carnaval!, direção de Adhemar Gonzaga. O elenco, bem heterogêneo, contou com a participação de atores de comédia, atores do teatro de revista e cantores do rádio.

Seu primeiro papel de destaque na tela foi em 1939, como chefe da campanha publicitária a favor da banana da imaginária ilha Bananolândia, no filme Banana da Terra, da Sonofilmes, com argumento de João de Barro e Mário Lago e direção de Rui Costa, e que consagrou o samba O Que é Que a Baiana Tem?, de Dorival Caymmi, com Carmem Miranda. Em 1944, com Tristezas não Pagam Dívidas, de José Carlos Burle e Rui Costa, Oscarito inicia sua fulminante trajetória de sucessos na Atlântida. Certas interpretações do ator são impagáveis e entre elas merecem destaque a imitação hilariante de Elvis Presley, ao lado de Sonia Mamede, em De Vento em Popa, de 1957, e a fantástica cena do espelho com Eva Todor, no filme Os Dois Ladrões, de 1960, ambas produções da Atlântida, dirigidas por Carlos Manga.

Oscarito e Grande Otelo

A famosa parceria entre Oscarito e Grande Otelo consolidou-se em 1945, a partir de Não Adianta Chorar, sob a direção de Watson Macedo. A “dupla do barulho” protagonizou cenas antológicas para a história da chanchada. Como síntese de suas habilidades histriônicas, podemos eleger a paródia de uma cena da tragédia da peça Romeu e Julieta, de Shakespeare, em Carnaval no Fogo, dirigido por Watson Macedo, em 1949. A última participação de Oscarito na Atlântida foi Entre Mulheres e Espiões, realizado em 1962, sob a direção de Carlos Manga.

Encerrou, definitivamente, sua carreira no cinema, em 1968, com Jovens pra Frente, produção da Ultra-Urânio, direção, argumento e roteiro de Alcino Diniz. Coube ao ator o papel de um padre moderno e simpático. No elenco estavam Rosemary, Jair Rodrigues, Heloisa Helena, Mario Brasini, Clara Nunes entre outros. Oscarito atuou em 46 filmes, rodados entre 1933 e 1968. No teatro, trabalhou com os maiores empresários da época: Manuel Pinto, Antônio Neves, Walter Pinto, Beatriz Costa, Luiz Iglézias e Freire Jr. No início dos anos 50, Oscarito criou a Companhia de Comédias Oscarito & Família, junto com Margot Louro, Myrian, seu tio Afonso Stuart e sua esposa Pola Leste. Montou quatro comédias de autoria de Mário Lago e José Wanderley: Cupim, em 1953; O Golpe, em 1955; Papai Fanfarrão, em 1956 e Zero à Esquerda, em 1957. Em 1966, ao lado de Dercy Gonçalves, fez sua última atuação em teatro na peça Cocó, my Darling…, de Marcel Mithois, sob a direção de José Maria Monteiro.

Oscarito percorreu o Brasil apresentando peças, ganhou prêmios, recebeu (mas não aceitou) convites para trabalhar em Hollywood, foi contratado pela rádio Tupi, compôs músicas para filmes e revistas e atuou na série Trapalhadas do Oscarito, escrita por Jorge Murad e Moysés Duek, na extinta TV Tupi. Naturalizado brasileiro em 1949, nunca se considerou espanhol e soube como ninguém representar o jeito carioca de ser: “Sou, ou não sou o ‘malandro carioca’?”. Faleceu em 4 de agosto de 1970, aos 64 anos de idade, mas suas performances cômicas, imortalizadas nas chanchadas da Atlântida, podem ser hoje apreciadas, eventualmente, em festivais e mostras do cinema brasileiro. Uma dica: é possível encontrar, nas locadoras de vídeo mais especializadas, um pequeno estoque de filmes capaz de satisfazer a curiosidade dos que desejam conhecer a verve humorística de Oscarito. Aproveitem!

Bibliografia consultada:

AUGUSTO, Sérgio. Este Mundo é um Pandeiro: a Chanchada de Getúlio a JK. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
CASTRO, Alice Viveiros de. O Elogio da Bobagem: Palhaços no Brasil e no Mundo. Rio de Janeiro: Editora Família Bastos, 2005.
DEMASI, Domingos. Chanchadas e Dramalhões. Rio de Janeiro: Ministério da Cultura, Funarte, 2001.
FAJARDO, Elias. Oscarito: Nosso Oscar de Ouro. Rio de Janeiro: AC&M Ed., 1990.
PAIVA, Salvyano Cavalcanti de.Viva o Rebolado!:Vida e Morte do Teatro de Revista Brasileiro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991.
Oscarito e o Teatro de Revista Brasileiro. O PERCEVEJO. Revista de Teatro, Crítica e Estética. Dossiê: O Teatro de Revista no Brasil. Rio de Janeiro: Departamento de Teoria do Teatro, Programa de Pós-Graduação em Teatro, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, UNIRIO, ano 12, nº 13, 2004.

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Sobre o Autor, Christine Junqueira

Christine Junqueira é pesquisadora teatral e Doutora em Teatro pela UNIRIO. Este texto é de 2006.

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José Jaen Fontes

enviado em 19 de setembro de 2012

gostei de ver a biografia deste formidável ator , tenho grande interesse em rever o filme ¨carnaval no fogo ” por acaso se voces tiverem alguma pista , eu ficaria muito agradecido pois eu ja tenho procurado muito e não achei. desde ja muito obrigado pela amável atenção.

    maria.cristina

    enviado em 19 de setembro de 2012

    Oi, José! Você já viu no CTAV (Centro Técnico Audiovisual)? O site é http://www.ctav.gov.br e o telefone, (21) 3501-7800. Abs!

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