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Amado pelo público, detestado pela crítica: os contrastes de Mazzaropi nas matérias de jornal

Ao longo de 28 anos de carreira, o produtor, ator e diretor paulista conviveu com duras críticas e a adoração do povo, que lotava as salas de cinema em todo o país

Nem pornô, nem policial: Mazzaropi

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“O maior êxito de bilheteria no Brasil, tranquilo, tranquilo, chama-se Amácio Mazzaropi, que, desde 1952, está nas telas com o mesmo tipo (…). Mazzaropi tornou-se o único cineasta nacional a tirar o fator de acaso da loteria do cinema. Joga sempre na certa, para ganhar – e muito”. Assim, iniciava a matéria de Alberto Shatovsky, no jornal Última Hora, de abril de 1978. Em agosto do mesmo ano, porém, o crítico Valério de Andrade, do jornal O Globo, apresentava o seu bonequinho dormindo no filme Jeca e seu Filho Preto, e destacava:“A garantia de um público fiel e submisso é talvez o principal fator de repetição maçante e nada original do caricato Mazzaropi. (…) Não se espera dele um brilhantismo fora do comum, é verdade. Mas, ao longo de tantos anos de carreira cinematográfica, exige-se, pelo menos, uma certa inventiva, uma dose mínima de imaginação”. Essa dicotomia entre crítica e público andou ao lado do cinema de Mazzaropi ao longo dos anos 1950, 1960 e 1970. Enquanto os cinemas estavam lotados e o público às gargalhadas, a crítica se indignava com as histórias do Jeca cômico e desajeitado.

Com a clara desaprovação da crítica especializada em relação ao cinema de Mazzaropi, a imprensa se mostrava intrigada como tamanho sucesso de seus filmes, e preenchia inúmeras páginas nos jornais a decifrar o mistério do enorme êxito. Como escreveu Flavio R. Tambellini, no Jornal do Brasil, em agosto de 1976, um ano após seu longa-metragem, Jeca Macumbeiro alcançar a maior renda do cinema nacional, Cr$ 10.573.277,84, e ser visto por 2.530.306 espectadores.”Não importa quão maniqueístas sejam suas histórias ou esquematizados seus personagens. O que interessa é o diálogo público/protagonista. Ele conversa com quem está na plateia e transmite ao espectador uma cumplicidade que prende a atenção”.

O crítico José Carlos Avellar, em 1973, no mesmo jornal diz: “Ele é sempre amado pelas crianças e pelos puros de coração. E na vitória de seu personagem desajeitado e sentimental, corintiano, devoto de São Jorge, amigo dos animais, há uma indireta promessa de um paraíso, uma promessa de que esta terra ainda vai tornar-se um imenso roseiral”.

O artigo de Jean-Claude Bernadet, no jornal Última Hora, em abril de 1978 vai mais além: “Não é à toa que Mazzaropi tem sucesso. Mazzaropi só tem sucesso porque seus filmes abordam problemas concretos, reais, que são vividos pelo imenso público que acorre a seus filmes. Não é só porque é careteiro e tem um andar desengonçado. É porque põe na tela vivências e dificuldades de seus espectadores, e se assim não fosse, não teria o sucesso que tem”.

A Pam Filmes (Produções AmácioMazzaropi), em Taubaté (SP), era uma das mais bem equipadas do país e a forma como Mazzaropi realizava suas produções era muitas vezes apontada para explicar os resultados obtidos. “Realizando suas películas em estúdio próprio – e, portanto, amortizando consideravelmente os custos de produção – e colocando a sua firma nas capitais-chave do Brasil (o que garante uma distribuição eficientíssima, em todo o território nacional, em especial no interior do País, sua galinha dos ovos de ouro), Mazzaropi pode se orgulhar de ser hoje um dos poucos milionários do cinema brasileiro”, escrevia Alberto Silva, em agosto de 1978, no jornal Última Hora.

Já Ely Azeredo, do Jornal do Brasil, se mostrava resignado, em agosto de 1978: “Bem-aventurados os generosos, os de riso fácil, que vemos e ouvimos na sala escura. Mas ao crítico cabe somente registrar o fenômeno de receptividade ininterrupta, constatar que – embora sem a força histriônica de um Oscarito – há alguém que não deixa morrer a tradição da chanchada. Afinal de contas, não temos muitas tradições a perder entre as crises da memória nacional, no setor do cinema”.

Foram muitas as teorias a respeito do sucesso do Jeca, e a melhor forma de acabar com a dúvida e escolher um lado para se posicionar na discussão, sem dúvida, é assistir a um de seus 32 longas-metragens.

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